sábado, 20 de abril de 2013

Deepest shit ever written

Para todos aqueles que pensam que eu represento apenas aquela facção das pessoas que crítica incultamente e que tem a profundidade de uma casca de batata mostro-vos isto, uma merda que eu escrevi para apresentar numa palestra.
Here it goes.

"O que representa a viagem fisicamente? Nada. Vários quilómetros, uns quantos edifícios diferentes, talvez até a língua, mas assim, se se olhar para as coisas superficialmente, a magia da viagem é nula.
Quando era pequena dizia que ir a Londres, à Madeira, a Barcelona ou a Paris eram sítios que jamais fariam parte da minha lista de lugares onde desejava ir. Porquê? Porque lá viviam pessoas normais, a cumprir horários iguais aos meus, onde a monotonia regrava e o excitante acontecia excecionalmente, porque é que para alguém viajar significaria mais que isto? Não são as pessoas iguais? Não dormem, comem, bebem e trabalham como as outras? Qual o interesse?
Para aquele que não sente, aquele que não sabe viver, para essa pessoa e apenas para essa pessoa, talvez a viagem não tenha significado.
Nós somos um ser em permanente mutação, inicialmente somos uma tela branca, depois os outros vão pintando em nós ideias, não somos mais que a culminação perfeita e única de milhões de ideias diferentes, resultamos num quadro diferente de todos os outros.
Por isso, viajar é importante em nós porque nos dá cor: ao viajarmos colhemos ideias de todas as partes do mundo, o contacto com o novo e o diferente fornece sempre uma perspetiva diferente sobre as coisas e os seres, mutando-nos assim, bocadinho por bocadinho.
Viajar dá-nos sabor, comporta experiência e sabedoria. E não é só a sabedoria como conhecimento, não é só o conhecer, o ver e o falar;  é também o conhecer por dentro, a viagem que paralelamente à exterior é viajada dentro de nós, espiritualmente, e é essa que realmente interessa;  a viagem que fazemos como consequência da outra, essa sim, foi a viagem que me mudou, que nos mudou: encarar um mundo novo criou em nós uma nova maneira de pensar, de ver o mundo, de olhar para o outro com uns olhos que do passado poucos traços apresentam. Sentimos, afinal, que, como disse Jean Paul-Sartre, “Viajar é a melhor escola…”

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